- Biografia de Emilia Ferreiro
- Estudos
- Exílio
- Trajetória profissional
- Teoria desenvolvida
- Fases da aquisição da alfabetização
- A fase simbólica
- Fase de escrita
- Estágio silábico
- Estágio de transição silábica alfabética
- Estágio alfabético
- Outras contribuições
- Educação
- Metodologia e educadores
- Livros principais
- As crianças pensam em escrever
- Alfabetização, teoria e prática
- Validade de Jean Piaget
- Narrar por escrito a partir de um personagem. A abordagem das crianças à literatura
- Referências
Emília Ferreiro é pedagoga, psicóloga e escritora reconhecida por suas contribuições para a educação, principalmente por sua teoria sobre como as crianças aprendem a ler. Nasceu na Argentina em 1937 e publicou numerosas obras que são referência na psicogênese do sistema de escrita.
Emilia Ferreiro trabalhou como professora na Universidade de sua cidade natal, Buenos Aires, e foi pesquisadora do Centro Internacional de Epistemologia Genética da Universidade de Genebra. Suas contribuições lhe renderam inúmeros prêmios e reconhecimentos, como a Ordem Andrés Bello da Venezuela.
Além disso, a Universidade de Buenos Aires e a Universidade do Rio de Janeiro a nomearam Doutora Honoris Causa. O início de seus trabalhos sobre a psicogênese da escrita foi em 1979, quando publicou o livro Sistemas de escrita no desenvolvimento da criança. Ferreiro também apresentou diversas contribuições em outras áreas relacionadas à educação.
Biografia de Emilia Ferreiro
Estudos
Nasceu em Buenos Aires (Argentina) em 1937, seu nome completo é Emilia Beatriz María Ferreiro Schavi. Ele completou seus estudos com um doutorado em psicologia genética pela Universidade de Genebra, na Suíça.
O diretor de sua tese foi Jean Piaget, também autor do prefácio do livro baseado nessa tese: Relações temporais na linguagem da criança.
Ferreiro voltou à sua cidade natal em 1971. Lá foi uma das fundadoras de um grupo que se dedicava ao estudo da alfabetização, além de lecionar na Universidade. A Fundação Guggenheim, nos Estados Unidos, concedeu-lhe uma bolsa no ano seguinte e em 1974 ele deixaria o trabalho docente.
Exílio
O golpe ocorrido na Argentina em 1977 obrigou-a a se exilar. Ferreiro instalou-se na Suíça e posteriormente mudou-se para o México. Neste país, ele iniciou um estudo sobre crianças com deficiência intelectual na cidade de Monterrey.
Em 1979 ela começou a residir na Cidade do México com o marido e os filhos. Lá, ele lecionou no Centro de Pesquisa e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional.
Trajetória profissional
Emília Ferreiro teve uma vida profissional muito rica e variada. Sua pesquisa sobre a psicogênese do sistema de escrita infantil certamente se destaca. Ela começou a trabalhar nessa área em 1974, quando era professora, e estudou como isso afetava as crianças antes e durante seus primeiros anos na escola.
Na Universidade de Genebra foi pesquisadora do Centro Internacional de Epistemologia Genética e na Universidade de Buenos Aires foi professora por vários anos.
Entre 1995 e 1998, fez parte das comissões encarregadas de avaliar o Sistema Nacional de Pesquisadores do México. Também foi membro do Conselho de Pesquisa Científica e Tecnológica da Argentina, das Fundações WK Kellogg e Guggenheim e da UNESCO.
Apesar de ser reconhecida por seu trabalho de pesquisa, Ferreiro também tem se inserido na vida social de países latino-americanos. Nesta área, destaca-se o seu trabalho para melhorar a alfabetização dos mais desfavorecidos da sociedade, tanto nas zonas rurais como urbanas.
Teoria desenvolvida
A contribuição mais importante de Emília Ferreiro é sua teoria sobre como se adquire a habilidade de escrever. Apesar de muitos pensarem que ele inventou um novo método de alfabetização, a verdade é que seu trabalho foi muito mais teórico.
Dessa forma, ele investigou o processo evolutivo pelo qual as crianças aprendem a linguagem escrita e fez uma série de recomendações pedagógicas sobre esse processo. Este campo de estudo é denominado psicogênese do sistema de escrita.
Fases da aquisição da alfabetização
Ferreiro iniciou seus trabalhos sobre o assunto em 1974. Em sua teoria, ele divide o processo de alfabetização em cinco fases.
A fase simbólica
Nesta fase, as crianças apenas fazem rabiscos ou desenhos. Eles podem fazer interpretações gerais, mas não são capazes de fazer hipóteses.
Fase de escrita
Na fase da escrita, as crianças começam a manusear as letras, embora ainda de forma bastante simples. Eles os combinam e tentam escrever, mais como um jogo do que sabendo cem por cento do que estão fazendo.
Estágio silábico
A terceira etapa, denominada silábica, representa um avanço na escrita da criança. Nessa fase ele começa a trabalhar com as sílabas. Ele é capaz de formular hipóteses e escrever palavras simples e curtas.
Outra característica dessa fase é que a criança passa a unir o que é oral com o que está escrito. Também vê a relação entre o que está escrito e o objeto real que designa.
Estágio de transição silábica alfabética
É o quarto nível no desenvolvimento da escrita. A criança consegue relacionar sons e ortografia e passa a trabalhar o aspecto alfabético.
Nesse momento sua capacidade está aumentando, embora ainda vá cometer muitos erros.
Estágio alfabético
Nesta última etapa o pequeno já entende todos os personagens. Também expanda seu vocabulário com palavras que tenham mais sílabas. Você também começa a entender o uso dos fonemas, mesmo que ainda cometa erros.
Se a criança passou por todos esses estágios normalmente, a partir dos cinco anos pode lidar facilmente com o ensino da alfabetização de forma mais formal.
Outras contribuições
Educação
Como não poderia deixar de ser dado o seu especial interesse pelo assunto, Emília Ferreiro também deu alguns contributos gerais para a educação. Para o pensador, era fundamental que todos tivessem acesso a uma educação de qualidade. E não se referiu apenas ao conteúdo, mas também a valores como liberdade, solidariedade ou dignidade.
Ferreiro defende em seus escritos considerar a educação um direito fundamental e recomenda que sejam utilizados todos os meios possíveis, inclusive as novas tecnologias.
Em termos mais teóricos, ela se propõe a superar os antigos esquemas educacionais e, como ela mesma afirma, a mudar o olhar em sala de aula. Ele também diz que é preciso evitar o fracasso escolar.
Metodologia e educadores
Outros aspectos que Ferreiro impacta para melhorar a educação são na utilização de diferentes metodologias e na formação de professores.
Sobre o corpo docente, Ferreiro escreveu: “eles devem ser capazes de tomar decisões que transcendam a formação do aluno; demonstrar interesse e habilidade em avanços educacionais que beneficiem a educação e o treinamento do aluno "
Em relação à metodologia a ser aplicada em sala de aula, o pedagogo pretende que várias teorias psicológicas sejam utilizadas para melhorar a transmissão do conhecimento. Essas teorias seriam o behaviorismo, o construtivismo ou a abordagem sociocultural, entre outras.
Livros principais
As crianças pensam em escrever
Trata da teoria e prática dos processos de alfabetização, seja em crianças ou adultos.
Alfabetização, teoria e prática
Reflexão sobre a escrita como representação da realidade. Ele se concentra em como as crianças conceituam a linguagem escrita e como ela pode ser aplicada ao ensino.
Validade de Jean Piaget
Numa compilação de vários textos relacionados com o centenário do nascimento de Piaget.
Narrar por escrito a partir de um personagem. A abordagem das crianças à literatura
Ferreiro tira os personagens típicos das histórias, como bruxas, príncipes e princesas ou madrastas. Ao invés de oferecer as histórias clássicas, faz com que crianças entre 9 e 11 anos as reescrevam, identificando-se com um dos protagonistas e proporcionando uma nova visão sobre eles.
Referências
- Centro de Pesquisa e Estudos Avançados do IPN Dra. Emilia Ferreiro. Obtido em die.cinvestav.mx
- Revista Cabal. Emília Ferreiro, chaves para a Educação que virá. Obtido em revistacabal.coop
- Associação Otraescuelaesposible. Emilia Ferreiro. Obtido em otraescuelaesposible.es
- Oliveira Mello, Márcia Cristina. A opinião de Emília Ferreiro sobre a alfabetização. Recuperado de acoalfaplp.net
- Angulo Carabalí, Nubia Rubiela. Emilia Beatriz María Ferreiro Schavi. Obtido em bioemilia.blogspot.com.es
- Marta Kohl de Oliveira, Teresa Cristina Rego. Contribuições para a pesquisa contemporânea da abordagem histórico-cultural de Luria. Recuperado do scielo.br
- Paulo Freire, Donaldo Macedo, Ana Maria Araujo Freire. Ousando sonhar: em direção a uma pedagogia do inacabado. Recuperado de books.google.es