- Os 7 principais desafios da leitura no México na era da Internet
- Resistência pessoal
- Topografia
- Acesso limitado à web ou computadores para navegar
- Notícias falsas
- Verificação da legitimidade das fontes
- Distrações
- Nível de alfabetização
- Referências
Entre os principais desafios da leitura no México na era da Internet, destaca-se a necessidade de verificar a legitimidade dos meios de transmissão para confirmar que se trata de uma informação de qualidade, bem como avaliar a real possibilidade de acesso aos meios tecnológicos, sem que muitos ficarão de fora do impacto comunicacional da Internet.
É inegável que a internet penetrou na sociedade atual em todos os níveis. Não é mais um luxo ou algo desconhecido e misterioso; A Internet é agora aquela rede invisível, necessária e de posse e gestão obrigatórias, para executar e monitorar as atividades humanas mais básicas do dia a dia.
De acordo com estatísticas de 2018, 1 em cada 2 mexicanos não confia nas notícias que recebe pela Internet. Fonte: pixabay.com
Essa rede trouxe novos desafios, e uma das áreas que tem impacto direto é a leitura. Esse hábito, por qualquer meio, sempre trará benefícios para quem o pratica, mas é importante entender todas as implicações que a era da internet traz neste contexto.
Por exemplo, nesta era é ainda mais necessário filtrar as informações a serem consumidas e evitar o desenvolvimento do fenômeno chamado notícias falsas, cujo único objetivo é promover a desinformação.
Os 7 principais desafios da leitura no México na era da Internet
Resistência pessoal
Um dos vestígios da sociedade mexicana é a já conhecida resistência à leitura, que tende a se intensificar ainda mais quando as dinâmicas cotidianas se aceleram e promovem a velocidade no consumo da informação.
A predisposição para não querer ler pode aumentar no contexto proporcionado pela Internet, em que em muitos casos a prioridade é dada a conteúdos fáceis e rápidos de consumir, como vídeos ou imagens, em vez de priorizar conteúdos escritos que permitem o aprofundamento de um conhecimento através da leitura.
Topografia
O México é um país extenso de quase 2 milhões de km2 que apresenta uma geografia em mudança. Em questão de poucas horas, você pode ir das planícies mais escaldantes e infinitas às densas savanas e até às florestas subtropicais.
Essas diferenças marcantes representam um desafio a superar na hora de comunicar as populações vizinhas e integrá-las em uma única rede. Existem comunidades com menos acesso às interações dessa forma e, portanto, com menos tendência a consumir conteúdo escrito por meio desse meio.
Acesso limitado à web ou computadores para navegar
Embora seja verdade que muitos mexicanos têm um padrão de vida que lhes permite ter um aparelho celular com acesso à Internet, nem todos podem pagar o serviço de Internet em casa, ou mesmo desfrutar das vantagens de ter um computador com acesso à web..
É importante lembrar que o custo do serviço de internet depende da oferta e demanda do mercado; não é fornecido pelo governo. Este último concede licenças às operadoras privadas que estabelecem o preço de cada um dos planos a serem contratados e, quanto mais rápido o acesso contratado, mais cara ficará a conta no final do mês.
No México, aproximadamente 65% dos habitantes têm acesso à Internet. Neste contexto, pensar que atualmente a Internet pode ser utilizada em toda a sua capacidade como forma fundamental de acesso a leituras formativas de qualidade disponíveis a toda a população, é inconcebível.
Notícias falsas
Uma consequência negativa que a era da internet trouxe é a noção de notícias falsas, o anglicismo que significa “notícias falsas”. Trata-se de informações divulgadas com o único propósito de enganar sobre algum assunto e gerar um clima de desinformação.
É um conceito que pode ser perigoso, uma vez que as chamadas notícias falsas são projetadas para parecer verdadeiras, por isso às vezes é muito difícil determinar se se trata de uma informação legítima ou se é uma farsa.
Conhecedores do assunto, como o jornalista espanhol Marc Amorós, destacam que notícias falsas não é um conceito novo, já que a história da humanidade está repleta de disseminação de informações manipuladas e enviesadas. A diferença importante que surge atualmente é que essa difusão se espalha a uma velocidade antes impensável graças à internet.
Diante desse cenário, é imprescindível que existam mecanismos que permitam avaliar a confiabilidade das fontes consultadas, a fim de tentar ficar fora desse fenômeno no momento do consumo de conteúdo online.
Verificação da legitimidade das fontes
Esse desafio tem a ver com o conceito anterior, e é que a grande quantidade de informações disponíveis (tanto reais quanto falsas) fez com que um meio que demonstra responsabilidade e integridade receba maior valor.
2018 foi um ano complexo para o México neste contexto, pois as estatísticas indicam que ele ocupou o segundo lugar entre 37 países nos quais a exposição a notícias falsas foi avaliada.
Segundo esses estudos, os mexicanos preferem saber das notícias pela televisão ou pela imprensa escrita, sendo esta última a que goza de maior confiança por parte da população.
Esta situação é reflexo do fato de que os mexicanos perderam a confiança na Internet como meio de informação, já que as estatísticas mostram que 1 em cada 2 mexicanos não confia nas notícias que recebem por meio da rede.
Porém, a confiabilidade desse tipo de conteúdo aumenta quando as informações vêm dos portais oficiais das fontes de notícias, ao contrário do que acontece com as notícias obtidas nas redes sociais.
Assim, para os mexicanos, foi necessário enfocar quem é o emissor da informação e quão confiável ela é, e qualquer conteúdo que não responda a essas perguntas de forma satisfatória não é considerado verdadeiro.
Distrações
Segundo vários autores, estudos recentes parecem mostrar que a leitura de livros físicos é mais eficaz do que aqueles que são lidos na tela. A razão para isso é simples e previsível: as distrações que bombardeiam constantemente cada leitor impedem a concentração ideal.
As redes sociais, os anúncios e os milhares de pop-ups que invadem as telas tornam-se os principais agentes de desconcentração da tarefa inicial.
Essa situação mostra que o ato de ler na internet não será tão eficaz se for realizado considerando a mesma dinâmica que se aplica à leitura de um livro físico. Por se tratar de um meio diferente, a abordagem da leitura pela internet também deve ser diferente da usual; só então pode ser eficaz.
Nível de alfabetização
Apesar de ser uma nação próspera, o México mantém um nível de analfabetismo de 4%. Se levarmos em conta que os mexicanos somam cerca de 134 milhões de pessoas, há quase 5,4 milhões de habitantes que ainda não sabem ler.
Como consequência, a grande quantidade de conteúdos oferecidos pela internet é insuficiente para um público que deve primeiro passar por um processo de alfabetização.
Referências
- “A leitura na era móvel: uma visão do México”, na Unesco. Recuperado em 10 de março de 2019 da Unesco: unesco.org
- “É assim que os mexicanos lêem na era digital”, no Diario Excélsior. Obtido em 10 de março de 2019 do Diario Excélsior: excelsior.com.mx
- “Leitura, grande desafio para o México” na Revista Vanguardia. Retirado em 10 de março de 2019 da Revista Vanguardia: vanguardia.com.mx
- “Os vestígios da leitura na era da Internet” na Revista How Do You See?, Universidade Nacional Autônoma do México. Retirado em 10 de março de 2019 da Revista How Do You See?, Universidade Nacional Autônoma do México: comoves.unam.mx
- "Desafios da leitura na era da Internet" no Google Books. Recuperado em 10 de março de 2019 do Google Livros: books.google.co.ve
- Meneses, G. "Notícias falsas: quem as cria, para quê e como se espalham" em Un (código). Obtido em 10 de março de 2019 de Un (código): uncode.cafe
- "O México ocupa o segundo lugar em exposição a notícias falsas em todo o mundo" no Infobae. Obtido em 10 de março de 2019 em Infobae: infobae.com