- História
- Os primeiros trabalhos sociais
- Sua missão: bem-estar
- Institucionalização
- Caracteristicas
- Recursos
- Metodologia
- Fase I
- Fase II
- Fase III
- Fase IV
- Fase V
- O que as políticas sociais exigem
- Exemplos
- Referências
A comunidade de trabalho social está relacionada às ações realizadas dentro de uma determinada comunidade para promover uma transformação positiva dela. A relevância desta ação decorre do fato de que a existência de uma comunidade construtiva é fundamental para o desenvolvimento das nações.
Atualmente, em muitos contextos, fala-se em aumentar o capital social, que corresponde ao capital real das nações: seus habitantes. O PIB de cada país é medido pelo progresso social, e este indicador inclui não só a possibilidade de as pessoas viverem com elevados padrões de qualidade de vida, mas também mais indicadores de civilidade.

No trabalho social comunitário, busca-se a participação ativa dos membros da comunidade. Fonte: pixabay.com
Quando se trata de civilidade ou civilização, não é uma utopia. Pelo contrário, trata-se de encontrar no progresso tecnológico e econômico características de uma sociedade tolerante e respeitadora das diferenças, que saiba abordar os problemas na perspectiva do bem comum.
Além da tecnologia, o desenvolvimento da ciência em prol de um desenvolvimento mais humano deve se apoiar em disciplinas que tenham a ver com esse conhecimento e o desenvolvam. É nesse sentido que as disciplinas que têm o ser humano como objeto de estudo (como as ciências sociais e humanas) são as protagonistas.
Como assinala María José Escartín, especialista nesta disciplina, sem o desenvolvimento do trabalho social não haveria legado histórico e património científico que nos permitisse melhorar as intervenções sociais e torná-las cada vez mais relevantes e replicáveis, em termos de boas práticas e para gerar estudos que permitem uma melhor compreensão do fenômeno.
Não é de estranhar que, por ser uma disciplina tão jovem, não exista um alto nível de desenvolvimento que permita superar barreiras culturais para possibilitar a replicação de intervenções bem-sucedidas em diferentes nações e comunidades. Porém, por se tratar de ciências humanas, entende-se que sua identidade e fundamentos ainda estão em construção.
Assim, é muito importante saber como se estabelecem os alicerces do trabalho social comunitário, novas abordagens, como se inserem os novos vínculos, como são as redes sociais e os voluntários. Busca o desenvolvimento integral que deve surgir acima do aspecto econômico e global, e que só parece possível com a participação da comunidade.
História
Os primeiros trabalhos sociais
O trabalho social comunitário, conforme é conceituado atualmente, teve muitas variações. É definida como intervenção social na própria comunidade, mas ainda é um campo com fundamentos que geram polêmica não só aos seus defensores cidadãos não profissionais, mas também aos profissionais formados nessas disciplinas.
Existem referências conhecidas ao trabalho social comunitário de 1817 e 1860 nos Estados Unidos e na Inglaterra, respectivamente, com as organizações chamadas Cooperative Peoples of Robert Owen e Charity Organization Society.
O primeiro foi criado pela Fundação New Harmony com o intuito de tornar a vida das indústrias e fábricas uma vida mais humana, sem diferenças de classe social. O segundo era uma organização privada de caridade que visava reduzir a pobreza dos trabalhadores ingleses.
Em 1884, os movimentos de estabelecimento foram criados, tentando educar adultos em Londres através da juventude. A intenção era confrontar estes últimos com a sociedade e ensinar-lhes seus verdadeiros problemas e necessidades.
Sua missão: bem-estar
De acordo com vários estudos, entre 1900 e cerca de 1930 desenvolveram-se importantes iniciativas de trabalho social e comunitário.
Um exemplo disso foram os conselhos de planejamento comunitário, cujo objetivo era enfrentar o problema da migração europeia nos Estados Unidos. Destacam-se também os fundos comunitários, que visavam subsidiar os diversos projetos assistenciais e assistenciais.
Segundo várias fontes, as primeiras escolas de serviço social começaram a ser estabelecidas na década de 1930. Um dos primeiros países foi a Colômbia e o objetivo era oferecer aos migrantes oportunidades de formação para poder enfrentar o trabalho com alguma formação profissional.
Institucionalização
Essas iniciativas foram combinadas com as de organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO).
O objetivo era gerar programas que tivessem uma base mais estruturada e duradoura ao longo do tempo para poder ajudar os outros enquanto melhora a infraestrutura e os fundamentos.
Foi somente em 1962 que o trabalho comunitário foi aceito como um campo de prática para o trabalho social, graças à National Association of American Social Workers. Desde então, tem sido referido como desenvolvimento comunitário, organização comunitária e intervenção comunitária.
Sempre houve a necessidade de servir igualmente às minorias em cada sociedade, como usuários-alvo ou populações em risco. Depois de vários anos, essa necessidade foi institucionalizada e estruturada de forma mais concreta.
Caracteristicas
- O trabalho social comunitário caracteriza-se por se enquadrar na concepção de disciplina social e humana.
- Caracteriza-se também por possuir uma formação empírica e também prática.
- É fundamental envolver a sociedade; caso contrário, não pode haver integração social.
- É sustentada por valores sociais e humanísticos, centrada na pessoa e posicionada a partir do respeito à dignidade do ser social.
- Caracteriza-se por ser responsável, baseia-se na empatia e na convicção de que a ética deve ser o que norteia a prática do assistente social comunitário. É assim que aponta Cristina De Robertis, assistente social.
- Por meio do trabalho social comunitário, deve-se entender que as comunidades possuem os recursos necessários para atender às suas próprias necessidades.
- Pode ocorrer em diferentes esferas: local, estadual ou nacional, e até mesmo combinando esses cenários entre si.
- Nenhum dos efeitos positivos será possível sem a característica mais importante: a presença de voluntários, que é uma condição de disposição humanitária.
Recursos
O trabalho social comunitário visa o bem-estar social da população. Tenta gerar uma análise da situação e a procura de soluções para os problemas que afligem a comunidade de uma mesma população, através da utilização de recursos próprios.
Entre as principais funções destaca-se a criação de espaços e processos que sirvam para valorizar os recursos e competências das pessoas que compõem a comunidade. A ideia disso é que as diferentes opções saem da própria comunidade para se desenvolver de forma abrangente, sem exclusão.
Pode-se dizer que seu objetivo fundamental é conviver em paz, respeitando a dignidade do outro e garantindo os direitos cívicos que se instituem.
Esse objetivo é viável a partir da visão ética da convivência e da convivência, e não inclui apenas sociedades ou nações em guerra aberta, pois é um objetivo geral que se tornou uma prioridade dada a cada vez mais ausente a ética social no mundo.
Metodologia
Como qualquer disciplina social, o trabalho social comunitário deve seguir uma metodologia que permita replicar e viabilizar estrategicamente a busca de objetivos.
A ênfase deve ser colocada na utilização de técnicas que tenham como base a comunidade participante, integrando, reconhecendo e descobrindo os seus próprios recursos e podendo mobilizá-los para a concretização do seu desenvolvimento.
A metodologia de desenvolvimento comunitário, como também é chamada esta intervenção, é constituída pelos seguintes aspectos:
- Estudo da realidade, - Plano de atividades.
- Execução ou ação social.
- Avaliação posterior do que foi executado.
Nesse sentido, Niévès Herranz e Elena Nadal, especialistas na área do Serviço Social, propõem uma metodologia que compreende as seguintes fases:
Fase I
Fazendo contato.
Fase II
Estudo e investigação diagnóstica.
Fase III
Planejamento.
Fase IV
Execução.
Fase V
Avaliação.
Essas fases ou aspectos devem estar imersos em uma macro metodologia que responda aos seguintes fundamentos teóricos: análise sistêmica, diálogo, comunicação e desenvolvimento de um plano conjunto.
É isso que possibilitará a mobilização de esforços de dentro da comunidade, sempre contando com o apoio da assistente social comunitária, mas de acordo com o próprio objetivo da comunidade.
O que as políticas sociais exigem
Em primeiro lugar, qualquer trabalho social comunitário deve buscar a restauração da cidadania, conscientizando os grupos sociais de que devem se reconhecer como cidadãos com deveres e direitos, e assim resgatar seus direitos sociais e cívicos.
Por outro lado, através do trabalho social comunitário é necessário mobilizar e restaurar o vínculo social. Tudo isso deve ser feito na base de uma espécie de “contrato” de intervenção social, em que a comunidade permita ao assistente social intervir nos seus negócios.
Exemplos
O trabalho social pode ser desenvolvido em vários ambientes comunitários. Por exemplo, existem programas de saúde que atendem às necessidades específicas desta área ou programas habitacionais para pessoas que estão em situação de emergência devido a algum evento, desastre natural ou situações de rua.
Um dos exemplos mais típicos de trabalho social comunitário nos Estados Unidos são as casas criadas para ajudar afro-americanos e latinos que moram nos subúrbios; dessa forma, busca reduzir a segregação desses grupos.
Referências
- Cerullo, R. Wiesenfeld, E. "Conscientização no trabalho psicossocial comunitário desde a perspectiva de seus atores" (2001) na Revista de Psicología. Retirado em 23 de junho de 2019 da Revista de Psicología: uchile.cl
- Esquerda, FC. Garcia, JMB. “Trabalho comunitário, organização e desenvolvimento social” (2014) na Alianza Editorial. Obtido em 23 de junho de 2019 da Alianza Editorial: google.es
- Herranz, NL. Nadal, ER. “Community Work Manual” (2001) no Google Books. Obtido em 24 de junho de 2019 em: books.google.es
- Hardcastle, DA. Powers, PR “Prática comunitária: teorias e habilidades para assistentes sociais” (2004) no Google Books. Obtido em 24 de junho de 2019 em google.es
- De Robertis, C. "Fundamentos do trabalho social: ética e metodologia" (2003) no Google Books. Obtido em 24 de junho de 2019 em books.google.es
- Delgado, “Prática de trabalho social comunitário em um contexto urbano: O potencial de uma perspectiva de reforço de capacidade” (1999) no Google Books. Obtido em 24 de junho de 2019 em books.google.es
